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sábado, 16 de fevereiro de 2013

Repórter não pode fugir da luta!


Repórter precisa ter paciência, dedicação e um olho bom. Precisa estar atento a tudo e a todos. Qualquer movimento pode virar uma pauta, uma fala, uma citação. Precisa sentir o ambiente. Perceber um grupo que se reúne ou alguém que está sozinho, tudo isso pode render algo.

Não pode ter medo, vergonha ou receio de ir falar com quem quer que seja. Tem que tentar. O máximo que vai acontecer é um papo rápido, uma viagem nem tão perdida quanto possa parecer. Ao lado do fotógrafo, faz uma das duplas mais temidas e respeitadas do jornalismo. Uma sincronia boa pode fazer a diferença.

Repórter tem que meter a cara, perguntar por que, como, onde, quando, quem e muito mais que lhe passar pela cabeça. Precisa ter criatividade para elaborar uma boa pauta, fazer uma pergunta diferenciada, que muitos podem estar pensando, mas não tiveram a audácia de perguntar. Sem medo de ser feliz e de ser criticado, por assessoria, editor ou leitor.

No dia do repórter, minha admiração por vários destes profissionais, de jornal, TV, revista ou rádio. Cada um passa por dificuldades diferentes e ao mesmo tempo parecidas. Enquanto o perrengue de uns é ouvido, de outros é visto e de alguns outros é lido. Muitas vezes, tudo isso que acontece por detrás de uma matéria passa despercebido quando uma ela é publicada.

Com ou sem estrutura, a obrigação é a veiculação, com o máximo de qualidade e autenticidade possível. Depois disso, resta aguardar por um retorno, que muitas vezes nem acontece. O silêncio pode ser o melhor dos elogios.

Sigamos no caminho, perseverando, acreditando que cada fala ou linha pode ser lembrada e fazer a diferença, para o bem ou para o mal.

Não fujamos da luta. ...read more ⇒
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segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Chuva deu toque especial à BH no final de semana



                Um céu escuro não sobressaiu diante do inevitável arco-íris (crédito: Cacá Pádua)

Belo Horizonte sofre com as chuvas, mas há alguns dias as gotas que caíram sobre a capital mineira despertaram certa curiosidade e admiração.

Em poucos minutos, pôde-se ver uma área completamente nebulosa, com uma ligeira luz iluminando um pequeno espaço.

Ventos fizeram com que a água que caía fosse para diferentes lados, ao mesmo tempo. O efeito foi raro.

Enquanto de um lado chovia, do outro fazia sol, sem nem saber que alguns pingos logo chegariam por ali.

Um céu escuro encobriu os prédios da capital e o tom, aos poucos, foi mudando, até se perder de vez, dando lugar aos raios de sol e uma limpada boa no cenário da capital.

Para dar um colorido especial, nada mais justo do que um arco-íris. Coisa de cinema, BH.


   O escuro do céu foi embora e deu lugar à chuva e neblina. Mas o arco-íris foi insistente. (crédito: Cacá Pádua)



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terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Ansioso cheio de prontidão


Ansioso e paranóico, mas tinha um coração daqueles. Se o pessoal que o conhecia somente pela 'pilha', ficasse sabendo do tamanho da bondade que tinha ali, trucava no ato.

Mas tinha hora pra tudo. Mais pra ficar puto com tanta falta de paciência que o consumia em quase todos os dias. Mas também tinha dia para relaxar e mostrar um outro lado.

A bondade, no entanto, não tinha hora pra aparecer. Em alguns momentos onde se jurava que o cara ia explodir, ele abria o coração e mostrava um lado ainda desconhecido por muitos.

Alguns o taxavam de louco. Mas, também, o que dizer do cara que comprava isqueiro só pra acender cigarro dos outros? Tinha sempre um de prontidão, assim como uma caneta.

Assim que via alguém com um cigarro na boca, já chegava quase assustando a figura, com a chama acesa. Não foram poucas as vezes em que o cigarro já estava aceso e a ansiedade aparecia como traidora, o fazendo sair de fininho, com um ou outro rindo pelas costas.

No chaveiro, um abridor de garrafa. Perdeu a conta de quantas já havia aberto para clientes e garçons ao lado. Aquilo ali já lhe rendera algumas amizades de boteco e poucas conquistas rápidas, regradas a algumas cervejas abertas exclusivamente pelo companheiro de bolso.

A fama de louco e bondoso sempre lhe rendeu boas lembranças por parte dos outros.

Quando morreu, não deu outra. Virou um anjo da guarda. Ainda sem paciência, mas cheio de prontidão.

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domingo, 16 de dezembro de 2012

Mudança repentina


Fiscal do aeroporto internacional, era daqueles linha dura, não deixava passar nada.

Só de bater o olho, já decidia se ia aliviar ou não, com poucas exceções. Moças bonitas, crianças, idosos e deficientes eram liberados.

Todo o resto sofria, ainda mais quando a aparência merecia desconfiança.

Em um de seus vários dias ruins, viu o loiro cabeludo de longe. Tatuado, jaqueta de couro, carregando um violão nas costas, tipão de cantor. Esse não escapava.

Quando chegou perto para mostrar o passaporte, a situação piorou, quando um tripo piercing na orelha chamou a atenção, além de mais dois no nariz.

- 'No way', se limitava a dizer o fiscal, para desespero do artista, que já estava em cima da hora.

Com duas horas e meia de atraso, ele pôde entrar no palco, tudo culpa do funcionário que insistiu em não autorizar sua entrada. Produtor, empresário e até gente do governo teve que intervir para conseguir a liberação do astro internacional, que mal era conhecido pelo carrancudo senhor, que ainda teria uma surpresa ao chegar em casa.

A mulher tinha dois ingressos para o show da noite, presente do chefe. Não tinha como não ir. Mal sabia o esforçado esposo que estava prestes a ver seu desafeto em breve. Não se interessava por música, sua vida se limitava ao trabalho e família.

Antes mesmo da metade do show, já estava impressionado pela presença de palco do jovem artista. Conseguiu, por poucos momentos,pensar em como ele deveria ter se sentido mais cedo, querendo apenas entrar no país para fazer seu trabalho. Foi barrado, sem motivo, por um cara qualquer, provavelmente, um mal amado doido para estragar o dia alheio.

Viu-se numa posição detestável. Dali em diante, pensou menos no seu instinto, que poucas vezes funcionava. As aparências perderam valor e passou a tratar o trabalho como merecia, sem inventar situações apenas para mostrar alguma autoridade.

Mas a maior vantagem veio pelo gosto da música, que começou a ganhar forçar desde então, sem distinção de estilos e aparências.








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domingo, 4 de novembro de 2012

Cemitério de anões


Formado e desempregado, pai e separado, vivia no limite há anos. Poucos bens, como um carro de 12 anos de usado e algumas felicidades, como ir ver o time no estádio com os amigos.

Tinha, ainda, um imóvel. Um lote herdado pelo pai, há mais de 20 anos. Sempre pensou em fazer algo dali, mas a condição financeira e a preguiça só de imaginar no trabalho que aquilo daria impediam.

Mas foi em um desses jogos de futebol que veio a inspiração. Instantes antes da partida começar, o pequeno mascote cai duro no gramado. Entradas do time atrasadas, resgaste na ambulância e a notícia lá pelo final do jogo: o anão morrera, mal súbito bravo.

No dia seguinte, ouviu no rádio sobre a dificuldade da família em achar um cemitério de anões. Não havia nenhum na cidade e o mais próximo exigiria muito dinheiro dos entes queridos.

Não soube o que se sucedeu com o finado mascote, mas sabe que foi ele o causador da reviravolta em sua vida financeira.

Um mês depois do fatídico jogo, tomou a iniciativa de pedir um empréstimo e começar a limpeza do lote, que seria o primeiro e único cemitério da cidade exclusivo de anões.

Apesar de pequeno, o local comportava bem uma capela, um único local para velório e um bom jardim, com algumas árvores e sombras. A rotatividade de 'clientes' não era alta, mas o valor cobrado superava o custo que as famílias da cidade, com alto índice de pessoas daquela estatura, costumavam gastar para transporte e toda a produção de um funeral decente.

Ficou rico e não teve dificuldades para comprar o lote ao lado, quando 1200 caixões ocupavam todo espaço. Virou notícia de revista e jornal e sempre citava o episódio como inspiração de sua mudança. ...read more ⇒
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quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Semelhanças dentro e fora do bar



Garçom que é bom não basta ter um mínimo de escolaridade para saber escrever cachaça e outras pérolas.

Não basta ser educado, cortês, gentil e atencioso. Tudo isso ainda é insuficiente.

Um bar sem um bom garçom é como um time sem um bom camisa 10.

Não dá pra se omitir, tem que aparecer pro jogo o tempo todo. E o mais importante: jogar de cabeça levantada, saber se tem gente por trás, pela frente, pelos lados, com a mão levantada, pedindo bola ou somente mais uma cerveja.

Não dá pra ficar esperando a figura surgir, depois de tanta omissão. Tem que ser pró-ativo, não pode deixar sua ausência ser notada por um longo período. Se for assim, uma derrota pode ficar próxima.

O adversário agradece, a torcida que comparece se enfurece e não volta mais. Ponto pra concorrência, que tem no seu maestro sorridente um diferencial, sempre a postos para atender, sugerir e distribuir o jogo com elegância. Esse sujeito faz a diferença.

Tem gente que mesmo depois do apito final, fica por ali, seduzido pelo bom grado de quem não lhe esqueceu. Os acréscimos viram incontáveis saideiras.

Garçom ruim de serviço é igual volante da roça, que não olha para os lados e só chuta para onde o nariz aponta. Parece usar aquele cabresto, que impede que olhe para os lados, tem medo de levantar a cabeça e ver tudo que se passa ao seu redor. Mais tarde ou mais cedo (possivelmente mais bem cedo), a casa vai cair.

Torcida e clientela vão reclamar, se precisar falam até diretamente com o presidente.
 Garçom e camisa 10 de qualidade fazem a diferença, podem acreditar.

Dá até gosto de ver como ‘rebolam’ para dar conta de tudo, mostrando que o que parece difícil, não é tão assim. É tudo questão de prática, costume e vontade de querer sempre fazer o melhor possível .

Garçom ruim é pior que goleiro inseguro. A qualquer momento, tudo por ir por água abaixo.

Se uma cerveja demora, imagine a conta. Não sabe dar 12% das informações que lhe são perguntadas e gagueja quando deveria mostrar consistência. Uma bola fácil vira algo impiedoso.

Quando a bola chega, não sabe o que faz. Se solta ou se segura, se chuta ou se passa. Confiança e dedicação são fundamentais. O cara precisa querer e isso a gente percebe com poucos minutos de jogo. Ter uma referência que deixa a desejar não dá. Uma noite infeliz é sempre possível, mas várias seguidas é quase impossível, exige demais da paciência e boa vontade.

Não há torcida ou clientela que aguente. Não há bar ou time que vá pra frente
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terça-feira, 18 de setembro de 2012

Sem querer, o maior furo da cidade

Goleiro de pelada, daqueles que todo mundo queria no time. Saía até briga na hora de escolher. Normalmente, ficava no time mais fraco e acaba fazendo a diferença. 

Em um domingo despretensioso, logo no começo do jogo, percebeu uma alegre reunião bem atrás de seu gol. Conseguiu reconhecer um dos diretores de futebol de um dos grandes times da capital, que aproveitava o fim de temporada para descansar. Talvez o dirigente não tenha notado o goleiro logo do outro lado da cerca, ali pertinho. As várias cervejas com os amigos fizeram efeito. 

Apenas no primeiro tempo, já tinha conseguido ouvir uma meia dúzia de casos de deixar muita gente do futebol assustada. Jogador-travesti, pipoqueiro, chifrudo e mal visto. Falou mal até do presidente. 

A goleada de sua equipe permitiu que a linha do gol fosse seu local predileto durante o segundo tempo. Sempre que podia, ia para perto das redes, bebia uma água e conseguia fingir que se aquecia para escutar um pouco mais. Sentiu-se como um pequeno mosquito ouvindo uma conversa comprometedora. 

Foi quando o dirigente soltou uma bomba, aproveitando o ambiente descontraído e as várias cervejas. Seu time já tinha acertado a venda do maior craque. Futebol árabe, proposta irrecusável, muita grana para todo mundo. Era pegar ou largar.

Mesmo um pouco alterado, o diretor pede segredo de todos que estão ali. Com o aval de todos, ficou tranquilo e nem reparou no número 12 à sua frente. O goleiro não conteve o discreto riso com o pedido. 
Depois do jogo, o arqueiro não tardou a ligar para o editor. Na rádio, todos ficariam estarrecidos. O goleiro-repórter conseguiu passar despercebido pelo dirigente, que o conhecia de algumas temporadas e muitas entrevistas.

A bomba foi solta antes mesmo do dirigente retornar à capital. "Filhos da puta!", pensou, já incriminando os amigos da pelada. Sabia que sua carreira no clube podia desmoronar. Erro clássico e cruel.

A rádio foi a responsável pela divulgação da notícia em primeira mão. O nome do responsável foi exigido e o camuflado arqueiro foi apontado como o descobridor.

Procurado, o repórter, que em instantes, ganhou fama e credibilidade, fez questão de ressaltar o quanto apurou e investigou antes de ter toda a certeza no momento do anúncio. Fez um charme e saiu por cima.

Morreu poucos anos depois, com uma carreira de muitos amigos e pouco reconhecimento no rádio. Mas sempre seria lembrado como o único a 'dar o furo' da maior venda da história do tradicional clube da cidade. 
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